SILÊNCIO COVARDE E PERIGOSO

silencio

Mesmo estando próximo ou até ao lado, nem sempre o outro ouve os sons emitidos por alguém que sofre. As manifestações sensoriais que vão se transformando em sons até o alcançar o ápice no grito desesperado, sempre nasce do silêncio. É no silêncio, pois, que está a raiz de todo sofrimento.
O silêncio nunca foi tão inocente como sempre pretendeu demonstrar. Muito menos ele é a mudez absoluta, é a total ou relativa ausência de sons, é a palavra muda, a expressão labial que não deixa falar, a boca fechada ou a voz que preferiu se esconder para não dizer verdades. Que imparcialidade que nada, pois o silêncio é muito mais perigoso do que se imagina!
O silêncio é estrategista, vai calma e pausadamente planejando ações que mais tarde nem mesmo o silencioso, o que por enquanto não diz nada, poderá conter, vez que não sinaliza o que tenciona fazer nem diz quais as armas que utilizará para conseguir seus sinistros e abomináveis intentos.
Não é à toa que quem cala consente; que o silêncio é vulcão prestes a explodir; depõe ao seu modo covarde e frio contra todos aqueles que precisam que negue uma acusação. E por que o marginal tem o direito constitucional de ficar em silêncio? Porque nele estão adormecidas e bem guardadas as bestialidades e as desumanidades da vida. E por que a pessoa diz que vai falar senão vai explodir? Ora, porque o silêncio está enlouquecido para agir e dizer todos os absurdos a um só tempo. É, pois, do silêncio que nasce o sofrimento

Autor: Rangel Alves da Costa

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