PSDB recua do apoio ao governador e retarda decisão entre Robinson e Carlos Eduardo

JORNAL DE FATO

“Com quem será/Com quem será/Com quem será que o PSDB vai se casar…” A cantiga de aniversário cai como uma luva no momento de indefinição dos tucanos do Rio Grande do Norte. Há dois caminhos naturais de apoio na sucessão estadual deste ano que levam ao governador Robinson Faria (PSD), que tentará a reeleição, ou ao ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT), pré-candidato a governador por uma das vias da oposição.

Não há como afirmar, agora, qual será a decisão. Existe uma divisão dentro do PSDB. A ala mais próxima do presidente da sigla, Ezequiel Ferreira de Souza, que também preside a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, tem interesse na aliança com Robinson. Outra ala, representada pelo deputado federal Rogério Marinho, também candidato à reeleição, direciona a sua simpatia para Carlos Eduardo. E, entre as duas alas, o grupo de deputados que aceitam qualquer decisão, desde que viabilizem seus projetos de reeleição.

Deputado Fábio Faria defende o apoio ao pai governador Robinson Faria

Na semana passada, chegou-se a afirmar que o PSDB havia fechado com o governador. A notícia foi passada pelo filho de Robinson, deputado federal Fábio Faria (PSD), que comentou o “acerto” no voo inaugural da Azul Linhas Aéreas entre Recife (PE) e Mossoró. O anúncio seria feito na segunda-feira, 18. Não aconteceu e a reunião que estava marcada para o dia acabou sendo adiada para outra data. Ezequiel alegou que estava se tratando de uma conjuntivite.

Em seguida, a Executiva Estadual do PSDB divulgou nota afirmando que ouvirá, na próxima semana, os pré-candidatos a deputados estaduais e federais e ao Senado (o ex-governador Geraldo Melo), para definir seus rumos nas eleições deste ano. Por consequência, o diretório do PSDB de Natal, em posicionamento público, defendeu que essa consulta se estenda também aos diretórios municipais.

“Em maio, realizamos o primeiro Encontro Estadual dos Vereadores do PSDB e nosso presidente estadual, Ezequiel Ferreira, disse, para um plenário lotado, que a posição das lideranças municipais também seria levada em consideração. Sempre tive essa esperança de que o PSDB ia fazer a diferença neste ano, nesse sentido. Que toda decisão que viesse a ter, ouviria a maioria. E ouvir a maioria é o quê? Ouvir os diretórios, os detentores de mandatos, suplentes, os filiados”, defendeu o presidente do PSDB de Natal, o vereador Dickson Júnior, para reafirmar: “Eu tenho esperança de que até o final de junho o diretório estadual tenha essa sensibilidade e convoque todos para ouvir, para cada um dar sua opinião.”

O fato de o PSDB continuar indeciso, na opinião do líder tucano natalense, não é problema, porém defende que a Executiva estadual acelere o processo agora. “Acho que é até normal retardar a decisão, pela força que temos, pelo número de filiados que temos. Mas está na hora de decidir. Está faltando pouco tempo para as eleições.”

Deputado federal Rogério Marinho prioriza o seu projeto de reeleição

O maior entrave no ninho tucano é com relação à definição de uma aliança proporcional, apesar de o partido exigir participação da chapa majoritária. É que o PSDB quer preservar o mandato dos oito deputados estaduais e renovar o mandato do federal Rogério Marinho. Nesse caso, Robinson Faria partiu na frente oferecendo partidos da base do Governo para se coligarem na proporcional, que funcionariam como “esteiras” para beneficiar os deputados tucanos.

A proposta beneficia os deputados estaduais, porém não satisfaz o deputado federal Rogério Marinho, uma vez que os partidos de menor estrutura não formariam uma nominata capaz de eleger dois deputados, daí, ele teria que disputar uma vaga com Fábio Faria, que levaria vantagem por ser filho do governador.

Com a divisão interna, a executiva estadual do PSDB retardou a decisão, deixando o caminho aberto em duas direções: Robinson Faria ou Carlos Eduardo.

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