Produção do Pré-Sal cresceu 70% em março

As áreas do Pré-Sal estão se tornando rapidamente uma realidade na exploração de petróleo do País. Em março deste ano, houve um aumento de 70% na produção desses poços que ficam nas bacias de Campos (RJ) e Santos (SP). Eles bateram o recorde de 672 mil barris por dia. Esse volume ficou bem acima dos 395 mil barris registrados no mesmo mês de 2014.

Segundo a Petrobras, o Pré-Sal já responde por 24,3% do que a empresa explora – que hoje tem uma média diária total de 2,764 milhões de barris. Os números indicam que o Pré-sal poderá responder por metade de toda a produção nacional no ano de 2018. Trata-se de um avanço significativo de áreas que começaram a ser exploradas a partir de 2010.

Para o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, o Pré-Sal mantém uma trajetória de crescimento de produção porque a Petrobras continuou a investir e não se abalou tanto com o cenário de queda de preços internacionais – que passaram de US$ 100 por barril em junho de 2014 para US$ 47 março deste ano.

“A Petrobras manteve uma velocidade de cruzeiro com o Pré-Sal, porque responde ao esforço estratégico do País”, disse Prates. “Enquanto isso, os Estados Unidos estão desmobilizando os investimentos no ‘shale gas’ (gás de xisto) que dependem das empresas privadas.”

Segundo o consultor, as estimativas em 2006 indicavam a viabilidade do Pré-Sal apenas no caso de o barril de petróleo ficar acima de US$ 40. “Arrisco dizer que hoje o Pré-Sal pode ser viável com um piso de US$ 28 por barril. O conhecimento tecnológico adquirido sempre reduz os custos de exploração”, afirmou.

Prates lembrou que o cenário atual tem semelhanças com a situação de meados dos anos 1980, quando o preço do petróleo atingiu níveis históricos baixos, após bater recordes de alta na década anterior. Segundo ele, foi naquele momento que a Petrobras apostou todas as fichas nos investimentos em exploração de águas profundas. Já as grandes empresas privadas decidiram se retirar de regiões como o Golfo do México e o Mar do Norte e depois seguiram os passos da estatal brasileira.

“Essa é a importância de se ter uma estatal, que mantém sua estratégia. O mercado de petróleo não para por conta de conjuntura ruim”, avalia o consultor. “Quem sabe, passado o cenário atual, a Petrobras não vai ensinar outras empresas a explorar óleo do Pré-Sal na costa da Índia.”

DF

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