PRESERVAÇÃO DAS ANTIGAS ESTAÇÕES DE TRENS DO RN SERÁ DISCUTIDA

O Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC) solicitou que o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) convoque para uma audiência pública os prefeitos de municípios onde há antigas estações ferroviárias. O objetivo do Instituto é sensibilizar os gestores sobre a importância de conservar os prédios que fazem parte da história da malha ferroviária potiguar.

Aproximadamente 60 municípios contam com estruturas físicas que, no passado, serviram para, entre outras funções, movimentar a economia e sustentar o crescimento das cidades. No entanto, atualmente, parte das estações está abandonada. Algumas foram completamente destruídas e outras sofrem com o descaso por parte do poder público.

estação

 

“Entregamos ofício ao MPRN para que o órgão convoque todos os prefeitos. A história das estações deve ser preservada e vamos pedir aos prefeitos que restaurem esses prédios”, explicou o presidente da IAPHACC e pesquisador, Ricardo Tersuliano. “Além de prefeitos do Rio Grande do Norte, solicitamos que alguns gestores da Paraíba também sejam convocados”, completou.

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Na última quinta-feira, a TRIBUNA DO NORTE percorreu algumas cidades e estações que formaram o primeiro circuito ferroviário do Rio Grande do Norte. Em 1881, a empresa Great Western do Brasil começou a operar a linha Natal – Nova Cruz. Naquele ano, nem todas as cidades tinham estações. Em Nova Cruz, por exemplo, o prédio foi inaugurado apenas em 1883.

Hoje, a estrutura abriga a

Casa de Cultura Popular (CCP)  “Palácio Lauro Arruda Câmara”, de responsabilidade da Fundação José Augusto (FJA). A construção centenária recebeu reforma e melhorias em 2003 – ano da inauguração  da CCP. Desde então, ou seja, há onze anos, não houve qualquer tipo de intervenção que produzisse melhoria ou conservação. “O atual prefeito veio visitar e disse que iria fazer alguma coisa. Mas não fez. Nossa situação é complicada. Precisa de uma reforma urgente”, disse o agente de cultura Joelson Galdino – responsável por manter o espaço aberto.

Em Pedro Velho, a 78 quilômetros de Natal, não há mais resquícios da estação de Cuitezeiras, inaugurada em 1882. O prédio foi completamente demolido e nada foi construído no local. Ficaram os trilhos e outra construção imponente – apesar da deterioração – lembra a importância daquele tipo de transporte para a região: a ponte de ferro sobre o rio Curimatau. A ponte está tomada pela ferrugem e mato. Pichações também fazem parte do cenário.

Em Canguaretama, a 67 quilômetros da capital potiguar, a prefeitura é responsável pela estação ferroviária. Lá, desde 2002, funcionam um restaurante e uma oficina de uma associação de costureiras. Além disso, há uma casa onde o proprietário do restaurante reside. O prédio passou por várias mudanças que descaracterizam o espaço. No chão, o antigo piso deu lugar ao cimento. No teto, placas de PVC se transformaram em forro. “Mas está conservado. Não fosse a gente por aqui, estaria tudo abandonado”, garante o proprietário do restaurante José Ernandes.

Na divisa entre os municípios de São José de Mipibu e Nísia Floresta, a antiga estação “Papary” abriga hoje o restaurante “Marinas Camarões”. Os proprietários do restaurante conservam a arquitetura do local e recebem turistas do mundo todo. “Não podemos mudar nada porque é um prédio tombado pelo patrimônio público. A manutenção requer cuidado pois a estrutura é a mesma desde que foi construída”, revelou a empresária Graça Bezerril.

TN

 

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