Por dia, 13 toneladas de alimentos vão para o lixo na Ceasa

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A chuva fina que insiste em cair do céu de Natal não atrapalha o desempregado Cosme Régis, 49 anos. Com a metade do corpo dentro de uma lixeira, ele resgata do fundo do recipiente as uvas que foram desprezadas por outra pessoa. Sem examinar as frutas, coloca-as dentro de um saco vermelho que, posteriormente, é arremessado em cima de um caixote. No quadrado de madeira, as uvas repousam sobre legumes, verduras e outras frutas também oriundas do lixo.

A cena descrita acima foi registrada pela reportagem na manhã da última quinta-feira, dia 24, mas ocorre todos os dias na Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Norte (Ceasa-RN). Cosme Régis é apenas um  dos catadores que vão ao local atrás dos alimentos que são desperdiçados corriqueiramente. A Ceasa-RN é palco de um fenômeno que acontece em todo o mundo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), anualmente, é desperdiçado 1,3 bilhão de tonelada de alimentos em todo planeta. O montante corresponde a 30% de tudo o que é produzido no mundo e causam perdas econômicas, como também tem impacto significativo nos recursos naturais dos quais a humanidade depende para se alimentar. Ainda de acordo com a pesquisa da Embrapa, aproximadamente 10% do alimento jogado fora se perde ainda no campo. O maior desperdício, 50%, ocorre no transporte e manuseio.

No Brasil, segundo estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aproximadamente 26,3 milhões de toneladas de alimentos têm o lixo como destino final. No Rio Grande do Norte, não há dados estimados que apontem o tamanho do nosso desperdício. No entanto, alguns números revelam a complexidade do problemas.

Apenas  na Ceasa-RN, por dia, a produção de lixo atinge a marca de 13 toneladas. De acordo com a direção do órgão, aproximadamente 90% desse volume é constituído de material orgânico, ou seja, alimento. “Além desse quantitativo, ainda temos aproximadamente cinco toneladas que são coletadas e transformadas em alimento para animais”, explica o diretor presidente do órgão, José Adécio Filho.

Os cochos para porcos também é local de destino para os alimentos que são desperdiçados em um restaurante popular localizado no bairro do Alecrim. Lá, diariamente, são vendidas 1.200 refeições. Mas boa parte da comida acaba sendo jogada aos porcos. “A quantidade que é desprezada varia a cada dia. Depende muito do cardápio. Quando é uma comida que não agrada, as pessoas deixam muito no prato. No fim do expediente, um senhor passa aqui e recolhe o que não foi consumido”, explica a nutricionista Daniela Matias.

O Comitê Executivo de Fitossanidade do Rio Grande do Norte (Coex-RN) – que reúne 22 empresas produtoras de frutas, verduras e legumes – também não possui dados que mensurem o volume de desperdício no Estado. A entidade considera que a perda é a mesma apontada pela FAO, ou seja, 30% do que é produzido. Com relação aos dados apresentados pela Embrapa, Luiz Roberto, presidente do Coex-RN, revela que há uma observação em terras potiguares. “Não há tanto desperdício no transporte porque nosso forte é o melão de exportação. Por causa disso, há um cuidado com a embalagem e refrigeração da fruta. Em outros casos, no entanto, percebemos um forte desperdício, especialmente por causa do armazenamento que é feito de forma errada”, diz.

Tribuna

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