PETROBRAS DEMITIU 4 MIL PETROLEIROS E VENDEU ATIVOS NA BACIA POTIGUAR

Considerada uma das maiores cadeias econômicas do Rio Grande do Norte, a produção de petróleo hoje segue movimento descendente. O estado fechou 2014 com leve queda de 0,2% na produção diária em relação ao ano anterior. Nos últimos quatro anos, o rendimento não chega a 60 mil barris de petróleo por dia. A redução acumulada também causa a perda de competitividade junto à maior exploradora do país. De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do RN, a redução de investimentos da Petrobrás já levou a demissão de quatro mil petroleiros. No ano passado, a estatal também deu entrada na venda de participação de duas reservas em águas profundas recém-descobertas  na Bacia Potiguar.

Nos últimos anos, a Petrobrás voltou os olhos para a exploração da camada pré-sal em detrimento de investimentos nos chamados campos maduros, concentrados no Nordeste. Estes campos possuem uma produção menor e ainda exigem investimentos contínuos em  recuperação, com injeção de gás e adensamento de malha para estabilizar a produtividade. Em 2013, a estatal chegou a apresentar um plano de investimento de R$ 1,8 bilhão nos 82 campos do RN até 2018.

Entretanto, o escândalo da Operação Lava Jato, que envolveu o superfaturamento de obras da estatal pelo Brasil, pode barrar ou atrasar a chegada de investimentos, na avaliação de entidades da cadeia petrolífera potiguar. De acordo com informações colhidas pela reportagem junto às empresas prestadoras de serviço, a média de perfurações nos últimos anos caiu de 800 para 100 por ano.

Segundo o Sindipetro, o temor são justificados pelo crescente número de demissões e realocações de equipe nos últimos cinco anos. Levantamento do sindicato mostra que 250 funcionários da estatal foram realocados para campos em outros estados – notoriamente onde se encontram as maiores reservas da camada pré-sal; outros 350 assinaram acordo de demissão voluntária, mas não foram reaproveitados para outras funções na empresa; e quatro mil foram demitidos por terceirizadas vinculadas à estatal. “A visão da estatal não é mais contratar o homem-hora, mas por serviço as empresas. Neste caso, o que a empreiteira faz é reduzir o número de trabalhadores que tinha. Isso está afetando o Brasil todo”, afirma o diretor de previdência do Sindipetro, Belchior Medeiros. “Agora está piorando a situação. Com a Lava Jato, o cerco está apertando.”

Em janeiro, a então presidente da Petrobrás, Graça Foster, anunciou que empresa diminuiria o ritmo de investimentos. No último final de semana, o jornal O Globo noticiou que a empresa adiaria  R$ 11 milhões em licitações que estariam previstas para o primeiro semestre.

Para Medeiros, uma das causas dessa redução é a revisão de contratos de empreiteiras por parte da estatal. “Essa revisão geral já está afetando, é geral, dos menores aos maiores contratos. Temos empreiteiras atuando na refinaria, na perfuração de poços, em quase todos os setores”, afiançou.

Venda
Outro sintoma da redução de investimentos por parte da Petrobrás é o processo de venda dos poços de Pitú e Araruna, primeiras reservas em águas profundas descobertas no RN. De acordo com informações da Agência Nacional de Petróleo, os poços terão participação cedida à British Petroleum do Brasil. Em outubro do ano passado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a venda das fatias de participação. Para ambos, a Petrobrás reduziu a participação de 60% para 40%; outros 40% ficaram com a BP e 20% com a companhia portuguesa Petrogal. A estatal brasileira continua como a operadora do consórcio.

Localizado em profundidade d’água de 1.731 metros, a uma distância de 55 km da costa potiguar, Pitú foi a primeira reserva a ser divulgada pela Petrobrás, em 2013. No ano passado, as foram descobertos ainda os poços de Tango e Araruna. Nenhum deles teve a capacidade de produção divulgada.

TN

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