Petrobras adia para setembro produção comercial no RN

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A Petrobras adiou para setembro o início das operações comerciais da usina de biodiesel da companhia no município de Guamaré. Inaugurada oficialmente em 19 de maio de 2006, a usina tinha previsão de iniciar as atividades em caráter comercial no primeiro semestre de 2013. Em setembro do ano passado, a estatal chegou a anunciar uma nova data de abertura, prevista para o início de 2014, o que não se efetivou. Com investimento de R$ 5,1 milhões e capacidade de produção de 20 milhões de litros, a nova usina dependerá de matéria-prima de fora do Estado, já que a produção potiguar de mamona e girassol vem sendo afetada nos últimos três anos com a seca e hoje é praticamente inexistente.

Quando implantada em caráter experimental, a usina tinha como objetivo amadurecer e consolidar tecnologias para a produção de biodiesel a partir da mamona e de outras oleaginosas típicas do Brasil. Na época da inauguração, a Petrobras informou que o cultivo de oleaginosas que serviriam de insumo para a produção de biodiesel deveria gerar emprego e renda para cinco mil famílias no Rio Grande do Norte. A estimativa da companhia em 2006 era de que seriam cultivadas no Estado áreas de 11.500 hectares de mamona e 1.500 hectares de girassol para o fornecimento de matéria-prima após o início da produção em escala industrial.

Em nota, a estatal informou que a Petrobras Biocombustível está concluindo atualmente a adaptação da unidade experimental para produzir comercialmente e que em setembro a usina de Guamaré terá utilização mista, ou seja, “terá foco na venda ao mercado e continuará servindo de plataforma para o desenvolvimento tecnológico na área de biodiesel”.

“A unidade terá capacidade para produzir 20 milhões de litros de biodiesel, o que corresponderá a cerca de 70% do mercado de biodiesel do Rio Grande do Norte, já considerando o aumento da mistura obrigatória B7 [inclusão de 7% do combustível no diesel, prevista para 1º de novembro]”, registrou a assessoria de imprensa da companhia em nota.

A estatal informou ainda que, “quando entrar em operação comercial, a unidade utilizará matérias-primas competitivas, considerando possibilidades de suprimento local e regional”.

A reportagem procurou a Petrobras no final da tarde de ontem para saber os motivos dos adiamentos da entrada em operação comercial da usina, mas a companhia não pôde responder até o fechamento da edição e informou que daria as respostas hoje. Questionada, a estatal não fez comentários sobre a oferta de matéria-prima no RN, para a usina.

Produção
No Brasil existem hoje 61 usinas de biodiesel, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Dentre elas, quatro ficam no Nordeste, sendo duas no Ceará e duas na Bahia.

A capacidade da usina potiguar, para produzir 20 milhões de litros (a companhia não confirmou se o valor é anual), será o equivalente a 24,28% do biodiesel comercializado pela companhia no Ceará em 2013, e 12,98% do que foi vendido pela estatal na Bahia, no mesmo ano. Os volumes comercializados nas unidades da Bahia e do Ceará foram divulgados pela ANP.

TN

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