Operação aponta irregularidades na Termoaçu

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Rio Grande do Norte está no rol de temas investigados pela “Operação Lava-Jato”, que apura irregularidades na Petrobras. De acordo com o jornal O Globo, a estatal teria pago extras pela construção da Termoaçu mesmo cinco anos após a conclusão da obra.
Segundo o jornal, o pagamento teria sido motivado por uma compensação. “No final do ano passado, a Petrobras autorizou o pagamento de um valor extra de R$ 139,8 milhões à construtora Camargo Corrêa a título de compensação por despesas adicionais como subcontratações durante as obras da Termoaçu, cinco anos depois da inauguração”, frisou.
A reportagem explica que 77% da Termoaçu pertencia à Petrobras e o restante à Neoenergia. A obra foi inaugurada em 2008 pelo então presidente Lula (direto de Mossoró por meio de videoconferência quando também inaugurava a Ufersa) que estava acompanhado da atual comandante da Petrobras, Graça Foster, que na época era diretora de gás e energia da estatal. “Se tivesse ido pessoalmente à Termoaçu, Lula poderia ter visto o que observaram executivos da área de auditoria interna e controladoria da térmica, indicados pela Neoenergia: a usina tinha várias falhas de construção”, acrescenta a reportagem.
A reportagem explica ainda que a usina, que custou R$ 735 milhões, tinha erros da captação das águas do Rio Açu. As falhas nas obras de assoreamento de um canal provocaram inundações.
Outro erro foi na montagem de quatro tanques. Isso fez com que a Termoaçu funcionasse com apenas 60% de sua capacidade.
As falhas geraram impasses entre a Camargo Corrêa e a Petrobras. A empreiteira passou a cobrar R$ 320 milhões pelos reparos através de seu presidente Dalton Santos Avancini. Ele foi preso recentemente em virtude da “Operação Lava-Jato”.
Os pagamentos da Termoaçu à Camargo Correia geraram um impasse entre a Petrobras e a Neoenergia. Outro impasse entre as sócias surgiu na sequência, desta vez motivada pelos preços do serviço. “A Neoenergia não concordava com o pagamento de suplementos não só por causa das falhas da obra, mas porque o contrato já havia recebido aditivos em 2005, quando a obra foi retomada após duas paralisações”, acrescenta a reportagem.
Somente em agosto do ano passado foi firmado um acordo para que a Petrobras comprasse os 23% da Neoenergia por um valor não divulgado. Após o desfecho do acordo a estatal atendeu parcialmente aos pleitos da Camargo Correia. “Em 18 de outubro de 2013, a estatal autorizou instrumento de transação extrajudicial para pagar R$ 139,8 milhões à construtora, o que levou a usina a fechar 2013 no vermelho, com prejuízo de R$ 59 milhões. O acordo está no balanço da Termoaçu, publicado em 26 de março deste ano, e inclui o reconhecimento de R$ 46,6 milhões devidos pela Camargo Corrêa à usina. Como a empreiteira recebeu menos do que pedira, esse valor acabou diluído no acordo. A Petrobras afirmou que o valor efetivamente pago à construtora foi de R$ 124,9 milhões”, conclui a reportagem.

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