Municípios potiguares devem adotar Observatório da Dengue ainda em abril

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Com mais de 7,5 mil casos de dengue clássica notificados nos três primeiros meses deste ano e situação de epidemia decretada na última sexta-feira (27), o Rio Grande do Norte pode ser o primeiro estado brasileiro a ter todos os municípios usando alta tecnologia na prevenção e combate aos mosquitos transmissores da doença. O programa Observatório da Dengue, desenvolvido pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal (Lais/UFRN), funciona em tempo real via internet e otimiza as ações realizadas contra o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, transmissores da enfermidade.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Ricardo Lagreca, a ferramenta, que já é usada pela capital contra a epidemia, foi apresentada aos gestores e conselheiros de saúde dos demais 166 municípios potiguares durante o Fórum Estadual de Controle e Prevenção da Dengue e Inovação tecnológica na manhã desta quarta-feira (01), em Natal. Para ele, é uma maneira eficaz e rápida de se prevenir e controlar a doença e garante sucesso nas ações desenvolvidas pelas secretarias.

“Este fórum está sendo muito importante para trabalharmos a situação da dengue em todo o Rio Grande do Norte e encontrarmos formas de controle mais eficiente da doença, que já atingiu um número perigoso de notificações, com mais de 7,5 mil casos em apenas 12 semanas deste ano. Tudo isso pode nos ajudar a segurar e reduzir os números de novos casos, que registrou um aumento muito significativo em pouco tempo, em relação ao mesmo período do ano passado”, afirmou.

A subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesap, Stella Leal, disse que de janeiro até a última sexta-feira (28), já haviam sido notificados 7.530 casos, o que representa um aumento de mais de 220% em comparação ao mesmo período do ano passado. Destes, 774 haviam sido confirmados, sendo dois deles de dengue hemorrágica e outros 344 descartados. No total, a incidência da dengue é de 222,6 casos para cada grupo de cem mil habitantes.

“É um problema de saúde pública que merece bastante atenção dos gestores públicos. Além disso, mostramos que é necessário investir em prevenção, para reduzirmos também os gastos gerados por ela, já que é muito mais barato prevenir do que tratar os casos surgidos. A interrupção do ciclo do mosquito causador da doença é o único elo da cadeia de transmissão que ainda podemos intervir e temos que focar nesse trabalho”, enfatizou.

Municípios devem implantar ferramenta

Com o Observatório da Dengue, os municípios potiguares ganharão mais agilidade e eficiência nas ações de prevenção e combate à doença, que até agora possui o maior número de notificações em Natal, com 1.917 casos e Currais Novos, com 517 suspeitas, conforme os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Para a presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems) e secretária de Saúde de Bom Jesus, Salete Cunha, a adoção da ferramenta deve ser implantada o mais rápido possível, diante da situação de epidemia que está instalada no Rio Grande do Norte. Para isso, todos os municípios devem realizar um mutirão ainda neste mês de abril, envolvendo a comunidade escolar e os residentes, junto com o poder público.

“É imprescindível o apoio e participação da população, porque, sem ela, as ações desenvolvidas pelos gestores não têm os efeitos práticos esperados. Vamos levar as informações às escolas, para que os nossos estudantes atuem como agentes multiplicadores desta luta contra uma doença que pode ser bastante perigosa para todos nós”, afirmou.

Programa pode ser expandido para todo o Brasil

O coordenador do Lais/UFRN, professor Ricardo Valentim, disse que a ferramenta segue todos os protocolos e convenções do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), para o controle das duas doenças e que favorece uma economia significativa para os cofres públicos, com relação às ações e trabalhos desenvolvidas na prevenção e combate das enfermidades. E que os municípios menores terão uma melhoria do processo de trabalho, porque, como o monitoramento é online e em tempo real, a notificação do caso de dengue, que antes demorava em torno de 15 a 45 dias, será imediato.

“Durante todo esse tempo, temos de quatro a cinco gerações do mosquito transmissor da dengue voando pela cidade, o que significa que você pode ter um processo epidemiológico instalado em todo o município ou no estado e as autoridades ainda não terem definido as ações a serem desenvolvidas. É uma ação cooperativa da UFRN em conjunto com a Sesap e articulado com todos os municípios e população, através do programa Telessaúde Brasil Redes, do Ministério”, explicou.

Ele disse que participou de reunião com pessoal do Ministério da Saúde ontem sobre o Observatório e que ficou acertado que haverá projeto com financiamento do governo federal específico para isso, já que é a primeira ação mundial que altera o trabalho desenvolvido contra a doença. Ricardo disse ainda que o programa foi apresentado oficialmente a todos os 27 secretários de saúde brasileiros e a Organização Pan-Americana de Saúde na semana passada, o que dará uma visibilidade mundial sobre o Observatório da Dengue.

“Somente nessa alteração ocorrida em Natal, será proporcionada uma economia de recursos como papel, por exemplo, no valor de R$ 800 mil por ano, além da parte operacional como deslocamento de agentes para a operação diária que gasta em média R$ 2,4 milhões mensais. Se somarmos tudo isso, é uma economia de R$ 3,2 milhões. A UFRN está totalmente preparada, o sistema está todo validado e preparado, funcionando com um data center que pode processar dados de todo o país”, afirmou.

JH

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