Militância do PT “dará as costas” se candidatura for com acordão

Candidato à presidência do Diretório de Natal comenta possibilidade de Fátima Bezerra disputar Senado Federal com o PMDB no próximo ano

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Filiado ao PT há pouco mais de 3 anos, (antes, pertenceu ao PCB e PC do B, com rápida passagem pelo PSB), Juliano Siqueira foi vereador de Natal no período de 1996 a 2000, oportunidade em que desenvolveu uma intensa atividade parlamentar, principalmente junto a movimentos sociais, cultura e direitos humanos. Nessa entrevista, poucas horas antes do pleito deste domingo quando disputará a presidência do PT municipal, ele fala sobre vários assuntos, como sucessão estadual, alianças do partido em 2014 e o chamado mensalão do PT, que considera “o maior escândalo midiático que ocorreu no Pais”. O ex-vereador diz também que “instâncias da justiça brasileira transformaram-se em tribunais de exceção”. Segue a entrevista:

O JORNAL DE HOJE – Por que a decisão de ser candidato à presidência do PT municipal de Natal?

JULIANO SIQUEIRA – Para dar continuidade ao trabalho do vereador Fernando Lucena e do advogado Carlos Araújo, centrado na reconstrução do PT desde as bases com organização de Zonais. Fortalecimento dos Núcleos e Setoriais. O resultado desse trabalho refletiu na expressiva votação do então candidato a prefeito de Natal, deputado Fernando Mineiro. Ao mesmo tempo, fazer com que as decisões das instâncias partidárias sejam o norte dos dirigentes do PT e não a vontade de personalidades. Nós não somos um partido que tem dono e a maior riqueza do partido é sua militância.

JH – A sua candidatura nasce das bases partidárias?

JS – Eu não me lancei candidato. Colocaram-me a tarefa e aceitei com uma única condição que é a de presidir o partido coletivamente e sem nenhuma marca monocrática. Outra razão é colocar o PT no seu caminho histórico, aglutinando o que existe de mais avançado na sociedade natalense e potiguar, afirmando sua absoluta independência frente aos grupos oligárquicos e seus projetos continuistas.

JH – Como o senhor interpreta as articulações da deputada Fátima Bezerra com vista às eleições do próximo ano?

JS – Ela responde pessoalmente por possíveis articulações com grupos oligárquicos. O PT como partido ouvirá a opinião de todos os seus filiados, inclusive da deputada Fátima Bezerra. Pra mim, não existe filiado de 1ª e 2ª categoria, já que estatutariamente todos são iguais. A posição do partido será a da maioria.

JH – Existem reclamações de que a deputada Fátima Bezerra considera-se dona do PT…

JS – O fato da deputada Fátima Bezerra ser considerada dona do PT do Rio Grande do Norte é danoso para ela e para o partido, mas o resultado das eleições internas deste domingo vai deixar muito claro que o PT não tem dono. Se alguém tem pretensões a cacique pode tirar o cavalo da chuva.

JH – Por que a deputada Fátima Bezerra não vota no senhor?

JS – Nunca esperei contar com o voto da deputada, até porque ela manifestou através de carta a filiados que tem outro candidato. Adianto que ficaria mais surpreso se ela declarasse voto à minha candidatura. Nossas concepções de partido e de alianças políticas, principalmente no Rio Grande do Norte, estão muito distantes.

JH – O senhor apoia a deputada Fátima Bezerra para o Senado?

JS – Se ela for realmente candidata compondo uma chapa majoritária apoiada pelo PT, após um processo de discussão dentro do partido, ela será candidata de todos os petistas. E somente nessas condições. Se a sua candidatura for resultado do que estão chamando “acordão”, a militância dará as costas e eu estarei com a militância. A minha presença numa campanha ao lado de partidos como DEM, PSDB e PPS é absolutamente descartada. Chance zero.

JH – E o PMDB?

JS – Se o PMDB fizer uma real alto-crítica dos males políticos que causou ao Rio Grande do Norte com consequências sócio-econômicas desastrosas e se afastar dos partidos acima mensionados, está aberto o caminho para discussão, caso contrário é farinha do mesmo saco.

JH – Como o senhor vê o mensalão do PT?

JS – Não faço distinção entre ética e política. Sou maxista lenilista e para nós a ética e a política caminham de modo inseparáveis. Vejo o chamado mensalão como o maior escândalo midiático que ocorreu no Brasil. Foi uma tentativa de golpear o governo do presidente Lula e impedir sua reeleição. Instâncias superiores da política brasileira transformaram-se em tribunais de excessão. Princípios jurídicos foram rasgados e a direita elegeu os dirigentes petistas que deveriam ser objeto de massacre. A situação começa a assumir o curso próximo da vaidade~. O próprio STF não pode mais ser reduzido as figuras de Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa.

JH – Que avaliação o senhor faz do processo sucessório estadual?

JS – O Rio Grande do Norte vive uma situação que beira o absurso. Uma governadora que não tem possibilidade de reeleição e os que se consideram donatários do Estado recusando-se a dizer que são candidatos ou esperando disputar uma eleição para vencer por WO. Se depender do PT, essa jogatina vai ser denunciada. O povo terá alternativa real e os de sempre vão ser varridos da cena política.

JH – Fernando Mineiro seria uma boa alternativa par o governo?

JS – A não candidatura do deputado Fernando, que hoje é uma perda lamentável, amanhã, se ele voltar a ser candidato, será a luz no fim do túnel. Não apenas torço, trabalho por isso.

Fonte: JH

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