Falta de água pode atingir 50 cidades do RN até julho

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A seca que se assentou sobre o sertão potiguar nos últimos cinco anos tem causado sérios prejuízos aos reservatórios de água do Rio Grande do Norte. De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), mais 27 cidades devem entrar em colapso no abastecimento de água até o mês que vem, e mais 25 municípios podem se enquadrar na mesma situação até fevereiro de 2017. Outros 23 já estão sem água atualmente.

O titular da Semarh, Mairton França, adianta que não há mais expectativa de chuvas para o ano de 2016 no semiárido do Rio Grande do Norte. “Só chuvas eventuais, sem possibilidade de recarga para os reservatórios. Estamos entrando oficialmente no período de estiagem”, acrescentou.

Chuva agora, segundo ele, só lá pelos meses de janeiro e fevereiro do ano que vem. Até esse período, os municípios atingidos pela seca no interior do estado vão sofrer com as interrupções no abastecimento, entretanto a Secretaria tem procurado maneiras de amenizar esses efeitos, de acordo com França.

O secretário explica que, no litoral Leste, onde fica Natal, ainda será possível a ocorrência das chuvas. “Chove dois dias ou três, passa alguns dias sem chover. Mas, a partir de agosto, é o período de estiagem de todo o estado”, detalha.

Mairton França afirma que no semiárido, região mais atingida pela estiagem, o período de chuva começa em janeiro ou fevereiro, mas é em março que se torna mais intenso. “Quando chove muito vai até junho, dia de São Pedro e São João”.

Hoje, ainda segundo as informações repassadas por França, o Rio Grande do Norte está com apenas 20% de sua capacidade hídrica. Os baixos índices apontam que, assim como nos quatro anos anteriores, 2016 não foi um ano “bom de chuva”. “Para se ter uma ideia, em Mossoró, onde se chove em média 400 milímetros, choveu menos de 310 milímetros”, afirma o secretário. “Vivemos uma das piores secas dos últimos 100 anos, senão a maior”, exclamou.

Entretanto a expectativa para o ano que vem é favorável. Segundo Mairton França, o fenômeno La Niña vai começar a operar, e isso é bom para as quadras chuvosas do semiárido do RN.

O titular da Semarh esclarece que para os reservatórios voltarem à plena capacidade é preciso, pelo menos, três anos. Mas isso deve acontecer depois de 2017.

Em 2019, de acordo com ele, a preocupação deve ser outra: as cheias. França adianta que o estado vai deixar de sofrer com a falta de água para tentar lidar com o excesso e evitar as enchentes.

A Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos aguarda ainda a oficialização da liberação dos recursos para a construção de uma adutora que vai abastecer o açude Itans, responsável por levar água à cidade de Caicó, no Seridó potiguar.

O montante de R$ 67 milhões havia sido bloqueado pelo presidente interino Michel Temer pouco tempo antes da votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. No total, Temer suspendeu R$ 400 milhões empenhados para diversas obras e serviços, incluindo a adutora do Itans.

O açude, de acordo com os dados da Semarh, está com 6,14% de sua capacidade e coloca em risco o abastecimento de Caicó. A outra fonte de água do município vem da adutora Manoel Torres, que capta água do Rio Piranhas.

Mairton França esclarece que o que torna o rio perene até a cidade de Jardim de Piranhas, de onde sai a adutora, é o reservatório de Corema, na Paraíba.

“Mas depois de outubro o reservatório pode não conseguir mais perenizar o rio até Jardim de Piranhas, pois o Corena está com 7,8%”, alerta.

O problema é que a adutora que será construída com os recursos federais demora seis meses para ficar pronta. “Se foi oficial a liberação dos recursos, mesmo, e nós licitarmos esse mês,começamos em julho”, informa o secretário. Desta maneira, então, o equipamento seria liberado somente em janeiro.

A partir de outubro, fica complicada a situação da cidade, que não vai ter de onde receber água. A ideia, segundo França, era iniciar as obras em fevereiro, para conseguir finalizar os trabalhos antes da possibilidade de colapso, todavia não foi possível em virtude dos entraves burocráticos do bloqueio.

Apesar da possibilidade de liberação dos recursos, anunciada nesta semana pelo Ministro do Turismo, Henrique Alves, que diz ter articulado junto ao Ministério da Integração Nacional o desbloqueio, o governador Robinson Faria manterá a reunião marcada para a próxima quarta-feira em Brasília.

Isso porque, além de ainda não ter sido nada oficializado, a ideia da comitiva formada pelo Executivo é levar todos os pleitos do RN para o combate à seca até o Ministério.

“O governador determinou como prioridade número um a adutora para o Itans, mas existem outras coisas também”, conta Mairton França.

Um grupo montado pelo Instituto de Gestão das Águas (Igarn), a Companhia de Águas e Esgotos (Caern), a Defesa Civil e a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn) montou um plano de emergência, orçado em R$ 336 milhões, que foi protocolado no Ministério da Integração no ano passado.

Segundo esclarece o titular da Semarh, os recursos não serviriam somente para questões imediatas como carros-pipa, material de combate à seca e ração animal, mas também para a perfuração de poços e construção de adutoras.

A “segunda prioridade” para o Governo, depois de entregar a adutora do açude Itans, é a construção de uma adutora de Afonso Bezerra para a cidade de Angicos.

De acordo com Mairton França, em Afonso Bezerra há sete poços profundos preparados para a instalação, porém dependem da obra da adutora. França conta ainda que atualmente Angicos é abastecida pela adutora Sertão Central, que toma água da barragem Armando Ribeiro Gonçalves.

No ano passado a cidade ficou mais de 30 dias sem receber água porque a barragem chegou a um nível que não conseguia ser captado pela adutora, daí a necessidade de haver um outro equipamento.

No entanto esse pleito foi negado pelo Ministério da Integração, e será levado novamente para discussão pelo governador, entre os demais pedidos, para que se consiga reverter a situação.

Apesar da negativa inicial, as expectativas da Semarh são boas, porque, segundo o secretário, o plano de emergência elaborado foi elogiado quando recebido em Brasília. Isso porque o projeto contempla não só as ações que vão conter a seca de agora, mas dá estrutura para o RN para as próximas estiagens.

Fonte: Novo Jornal

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