FALHA NO SISTEMA CONGESTIONA SERVIÇO DO DETRAN

O representante comercial Reginaldo Lobato precisa renovar com urgência da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vencida desde fevereiro. Para cumprir o prazo legal de renovação (em até 30 dias), ele compareceu à Central do Cidadão do Via Direta. Foi recepcionado por uma série incontável de filas. “Peguei fila para pegar a ficha, sentei um pouquinho, depois uma fila para ser atendido. Depois, me mandaram para a fila do banco”, contou. Entre as 9h45 e as 13h30, Reginaldo ainda não havia pago o boleto – enfrentava uma fila com mais de cem pessoas a serem atendidas na rede bancária Pagfácil.

A causa para as filas quilométricas que têm se formado nas já abarrotadas Centrais do Cidadão da capital seriam oscilações na transmissão de dados da rede Pagfácil. Hoje, a rede é terceirizada pelo Banco do Brasil para receber contas e títulos bancários – inclusive os gerados na cobrança de serviços do Estado pelas Centrais do Cidadão, como segunda vias de documento (CPF, identidade) e das carteiras de habilitação.

Os problemas são registrados há pelo menos três meses. Segundo gerentes das centrais do cidadão, as dificuldades começaram quando a rede Pagfácil modificou o seu sistema de informática, trazendo lentidão na transmissão de dados para o Estado. Pagamentos de serviços do Detran e Itep por meio do Pagfácil deveriam entrar automaticamente no sistema estadual, mas não é o que acontece.

Na central de Parnamirim, a fila para atendimento bancário na manhã de ontem chegou a 150 pessoas. Segundo o coordenador da central, Laércio Câmara, o sistema da Pagfácil registrava lentidão na transmissão dos dados para o sistema do Detran. Os atendimentos diários no banco caíram de 700 pagamentos para 150, na estimativa dos próprios atendentes – não pela falta de demanda, mas pela ineficiência do sistema.

“Esse problema do banco é em todas as centrais. Na hora que o  banco tem o sistema lento, isso trava todos os outros serviços. Uma pessoa que quer tirar a carteira de motorista chega aqui cedo, mas a clínica (do Detran) só atende depois de pago”, explica Câmara. Em janeiro, a central atendeu 30 mil pessoas. A maior demanda é pelo Detran, com atendimento de até 150 pessoas por dia.

Morador da zona rural de Brejinho, José Antônio Augusto da Silva, 22 anos, saiu de casa às 5h30 da manhã para dar entrada na carteira de motorista. O atendimento mais próximo era na central de Parnamirim. Quando conversou com a reportagem, Antônio já estava há 2h30 na fila do banco, esperando para pagar o boleto do exame oftalmológico. “Isso porque eu falei com meu chefe para ele me liberar, mas só vai dar para resolver isso. Para marcar o psicoteste só outro dia”, comentou.

Na central do Via Direta, zona Sul de Natal, o sistema Pagfácil saiu do ar e registrou lentidão, segundo o coordenador da central Ilo José Aranha. Segundo ele, os contatos foram feitos com a empresa, mas sem prazo de resposta. “Eles pedem para entrarmos em contato com a sede na Paraíba

Suposições
Mesmo com as suspeitas dos coordenadores das centrais, a Coordenadoria de Atendimento ao Cidadão (Codaci), ligada à Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) não identificou se a deficiência está, de fato, no sistema Pagfácil. Isso porque parte dos bancos utiliza a internet fornecida pelo Estado para as centrais.

“A gente está no mesmo questionamento: o banco diz que o problema está no sistema do Detran, e o Detran diz que o problema é o banco. Estamos buscando uma resposta, mas o governo começou agora, não temos resposta”, afirmou Júlio Acioly Furtado, gerente de atendimento da Codaci. O coordenador de Finanças do Detran informou que a empresa se comprometeu a resolver o problema em dez dias.

TN

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