“Dilma precisa ampliar o diálogo”

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), destaca a necessidade da presidenta Dilma Rousseff “conversar e “compartilhar mais” já nos próximos dois meses, quando ela encerra o primeiro mandato. “Não pode ser como vinha sendo: o PT escolhendo o que quisesse, principalmente os melhores ministérios, e deixando o resto para os outros. Não pode e não deve ser assim. A presidente Dilma tem dois meses para provar que as coisas não vão ser assim”, afirmou o presidente da Câmara, em entrevista ao portal da Veja. Na entrevista, ele afirma que não tem plano de assumir um cargo no ministério.

Ao responder sobre a derrubada, pela Câmara dos Deputados, do decreto presidencial que regulamenta a política nacional de participação social, Henrique Alves nega que tenha havido algum sentimento de retaliação na apreciação do projeto. “A afirmativa [de que foi um troco ao PT] é desinformação ou má-fé. Essa matéria aguardava votação há três meses. Eu decidi pautá-la, fiz um pronunciamento defendendo que o decreto é inconstitucional”, disse.

Ele acrescentou que tentou por diversas vezes que o ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, substituísse o decreto para apresentar um projeto de lei, que seria apreciado em regime de urgência. “O que nós queríamos era tirar a vinculação dos conselhos à Presidência da República. Toda votação que se abria, a oposição começava a obstruir enquanto não pautasse o decreto. Na hora que deu para ser votado, a obstrução do PT não teve efeito”, afirmou.

Henrique Alves acrescentou também que, sem apreciar a proposta que derruba o decreto, a Câmara ficaria em um impasse, que impediria outras votações. “Isso não tem nada a ver com situação nenhuma. Eu já falei com a Dilma, dei parabéns pela eleição, e ela sequer tocou neste assunto. A presidente ainda disse que na próxima semana, quando voltar de viagem, gostaria de falar comigo porque ia precisar muito da minha ajuda”, informou.

Durante a entrevista, Henrique respondeu também sobre o que deve mudar na relação da presidência da República com as bancadas no Congresso Nacional. “A Dilma nunca foi parlamentar e nunca passou nesta Casa, como todos os outros presidentes passaram e sabem das tensões que temos aqui, da necessidade de dar respostas. Ela exerceu uma função gerencial e se tornou presidente da República”, lembrou.

Ele disse que Dilma Rousseff precisa conversar mais com os parlamentares. “Quando convencer, muito bem. Quando não, que seja convencida. Acho que ela vai partir para isso, para um modelo diferente do primeiro mandato. Até porque antes ela tinha um contexto eleitoral muito favorável, mas agora não, está dividido”, avaliou.

O presidente da Câmara destacou que as circunstância políticas atuais vão exigir ainda mais da colaboração do PMDB e um diálogo do governo federal com representantes empresariais, dos sindicatos e com os deputados e senadores.

Para Henrique Alves, esse diálogo é fundamental, uma vez que poderá evitar crises políticas e institucionais. “Fora da janela do Palácio do Planalto há um país dividido. E tem de haver muito cuidado para que amanhã não haja uma crise. É preciso calçar a sandália da humildade”, disse.

Henrique também fez um comentário sobre o perfil adequado ao próximo presidente da Câmara dos Deputados. “Deve-se buscar o candidato que reflete o sentimento da Casa, da independência, que procure angariar apoio tanto da base quanto da oposição”, resumiu, para em seguida acrescentar: “Acho que o discurso vencedor vai ser de quem falar pelo Parlamento. Eu acho inevitável que o PMDB procure a todos, oposição e governo, e caracterize o discurso de Parlamento”.

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