Deputado José Adécio concede entrevista ao jornal O Mossoroense

“Rosalba quem tem que viabilizar a candidatura dela”, declara o deputado estadual José Adécio

adecio

Nesta entrevista o deputado estadual José Adécio, um dos mais antigos aliados do senador José Agripino, analisa o quadro político no Rio Grande do Norte. Na oportunidade, ele afirma que só a governadora pode decidir se será candidata ou não. O parlamentar não mostra empolgação com o projeto político do DEM.

O Mossoroense: Lançar o “RN Sustentável” significa a grande virada do Governo Rosalba?
José Adécio: Essa parte do “RN Sustentável” eu não diria que é a virada do Governo Rosalba. Eu diria que é uma obra de governo com recursos acentuados que vai beneficiar a saúde, a educação e a segurança. Além do homem do campo. Eu estou aqui porque estava indo a Governador Dix-sept Rosado onde vou visitar algumas lideranças (entrevista realizada na terça-feira) e estando na região resolvi passar em Mossoró para ver o lançamento do “RN Sustentável”.

OM: Como o senhor analisa o relacionamento atual da bancada de Rosalba com a bancada na Assembleia Legislativa?
JA: A bancada da governadora na Assembleia é a bancada do partido. É o deputado José Adécio, o deputado Leonardo Nogueira e o deputado Getúlio Rego. Nós somos do partido e até o momento tudo aquilo que a governadora tem encaminhado à Assembleia que é de interesse do Rio Grande do Norte tem contado com o nosso apoio.

OM: Há um silêncio da bancada governista nas críticas que a oposição faz. Por que isso?
JA: Olha… tem certo tipo de assunto… eu sou um político que todo o Rio Grande do Norte me conhece. Estou há 38 anos ininterruptamente na vida pública. Eu me elegi prefeito com pouco mais de 20 anos de idade, fui secretário no Governo José Agripino e estou no meu sétimo mandato consecutivo já tendo sido presidente da própria Assembleia. Essa experiência me mostra que as críticas que a oposição faz aos governos, que seja Rosalba, Wilma, Garibaldi, José Agripino ou Geraldo Melo que são governadores em que fui deputado nas gestões deles… mostram que quando a oposição faz crítica construtiva a situação tem que concordar. Quando são críticas dirigidas à pessoa da governadora, o deputado de governo tem que se posicionar. Quando é uma crítica que não tem fundamento eu tenho defendido, o deputado Getúlio Rego e Leonardo também. Agora não podemos a toda hora… eu já fui deputado de oposição muitos anos… só sou governo quando ajudo a eleger governo… eu estou num canto só desde que iniciei a vida pública. Portanto, não acho que o governo não tenha defesa. Dou o testemunho de que o líder do governo tem feito defesas muito boas. Eu e o Leonardo Nogueira também. Tenho feito as defesas que me cabe até porque a defesa de governo cabe ao líder da bancada. Nós não podemos passar por cima. Mas Getúlio tem feito essa defesa com muita competência. Como eu e Leonardo também.

OM: O senhor concorda que as críticas da oposição são justas?
JA: A maioria não. Em outras sim. Há críticas que não podemos esconder a verdade. Veja o caso da segurança, é um problema não só no Rio Grande do Norte, mas no no Brasil e no mundo. Então, quando a oposição cobra melhorias na segurança nós temos que de um modo geral achar que se precisa melhorias. Mas será que é só no Rio Grande do Norte? Claro que não. É no Brasil e no mundo.

OM: O senhor não acha que o fato de o novo secretário de Segurança ser um general trará melhorias ao setor?
JA: (risos) General é general em todo canto. É a estrela maior. Você é um gozador, com todo o respeito. Eu não entro no assunto porque eu tomei conhecimento dessa mudança pela imprensa, mas sabemos que o secretário que saiu é candidato a deputado federal e tem que se desincompatibilizar.

OM: O deputado Nélter Queiroz considera que o Governo Rosalba já acabou. O senhor concorda?
JA: Acho. Eu conheço Nélter. Sou deputado antes de ele chegar e conheci o seu pai. Ele é um deputado corajoso, voluntarioso, mas que exagera. Nenhum governo acaba antes do fim do mandato. Isso vale para governo estadual, municipal e federal. O Governo de Rosalba não acabou. Isso só em 31 de dezembro de 2014.

OM: O senhor defende a reeleição de Rosalba?
JA: Olhe… esse é um assunto de partido. Apesar de ser um homem de partido não posso falar em nome do partido. Quem tem de dizer se é candidata ou não é Rosalba. Mas posso dizer que em momento algum o partido é contra a candidatura dela. Rosalba quem tem que viabilizar a candidatura dela. Ela quem tem que dizer se é candidata ou não e o partido, claro, vai avaliar.

OM: Na sua opinião, qual deve ser a prioridade do DEM: a chapa proporcional ou a majoritária?
JA: Olhe… é uma pergunta que eu vou responder porque eu não me escondo em nenhuma resposta, até pela minha experiência de vida pública. Em toda eleição qualquer partido visualiza a majoritária porque ela puxa a proporcional. Mas isso depende da decisão partidária. Eu apenas sou um dos que votam.

OM: A debandada de partidos como o PROS entre outros não deixaria o DEM isolado?
JA: Não sei se deixaria isolado até porque ninguém tem candidato definido. O PMDB diz que vai ter candidato, mas ninguém sabe quem é candidato. A única candidatura que se diz candidatura é a do meu ex-colega e hoje vice-governador Robinson Faria. Ele é o único que está tentando viabilizar a própria eleição. Nós não sabemos quem é o candidato do PMDB, não sabemos quem são os candidatos a senador e não há definição. É evidente que essa questão do DEM temos que ser claros: o DEM tem a governadora do Rio Grande do Norte e só ele pode dizer se ela é candidata ou não. Fica muito ruim, é até antiético, eu por ser deputado dizer se ela é candidata ou não. Eu não posso dizer porque ela não disse isso a ninguém, eu nunca ouvi ela dizer se é candidata ou não. Ela tem dito que está voltada para administrar o Rio Grande do Norte. Se ela é candidata ou não essa pergunta tem que ser dirigida a ela.

OM: Partidos que integravam a base do governo diziam que o governo é fechado ao justificar a debandada de partidos. O governo está mais aberto?
JA: Há crítica sim de que o governo é fechado. Eu mesmo não sou deputado de viver subindo rampa de governo porque a minha vida pública na Assembleia é mais na oposição. Fui oito anos no Governo de Garibaldi, quatro no de Geraldo Melo e sete no de Wilma de Faria. Só fui governo com José Agripino e um ano de Wilma. Agora três com Rosalba. Isso para mim não tem muito significado. Eu quando vou ao governo solicito uma audiência e ela é concedida. Quando tenho intimidade com o secretário eu telefono e vou no dever que tenho com os municípios.

OM: O senhor disputará à reeleição?
JA: Ah sim. Com certeza. Sou candidato novamente a deputado estadual porque já são sete mandatos consecutivos e mais um de prefeito. Acho que tenho como contribuir em algumas coisas para o Rio Grande do Norte.

OM: O senhor percebe uma dificuldade de relacionamento entre Rosalba e José Agripino?
JA: Não. Eu não tenho essa intimidade com a governadora Rosalba nem com o senador José Agripino para entrar nesses detalhes. Eu não tenho dúvida de que o DEM apoia a governadora e a disputa pela reeleição será uma decisão dela. Não vou dizer que ela não vai ser para depois ela dizer “eu quero” ou que vai ser e ela dizer “eu não quero”.Fica muito desagradável. Na hora que ela anunciar que vai ser candidata o partido vai se reunir.

Bruno Barreto
Editor de Política

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