Comprar a casa própria exigirá desembolso maior e mudança afeta o mercado

Juros mais altos e a exigência de um valor de “entrada” maior devido a queda no percentual do valor do imóvel que pode ser financiado. As duas principais alterações na concessão de financiamento para imóveis usados pela Caixa Econômica Federal, em vigor já a partir desta segunda-feira, dia 4, geraram um clima de  insegurança e incertezas no mercado imobiliário, na última semana. E levaram milhares de pessoas a buscar aprovação de crédito na tentativa de se livrar das novas regras.

Com a restrição, os  especialistas apontam para uma migração de financiamento de usados para bancos privados, possível retomada da procura por imóveis novos e recomendam cautela na hora de contratar o financiamento. “O momento é de cautela. É preciso esperar o momento certo para comprar”, afirma o coordenador do Mestrado em Administração da UnP e Consultor Imobiliário, Walid Abbas.

Para o correspondente imobiliário Wandic Teixeira Lopes Neto, a principal consequência das mudanças nas regras é que “o mercado perde o suporte público como braço regulador, para imóveis usados, que deverão ir para o livre mercado”, analisa.

A CEF derrubou de 80% para 50% o limite de crédito para imóveis usados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) – até R$ 650 mil. Em um cálculo rápido, quem comprou um imóvel por R$ 500 mil e financiaria até R$ 450 mil, agora só vão financiar R$ 250 mil. Exigindo do consumidor entrada de igual valor. No Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), imóveis acima de R$ 650 mil, a queda foi ainda maior de  70% para 40% nos usados. As taxas de juros serão alteradas a partir de amanhã de 9,15% ao mês para 9,45%, no SFH.

Os demais bancos, atuam com um teto de financiamento de imóveis em 80% do valor. O que deve ser mantido. Em geral, os  privados e também o Banco do Brasil praticam hoje taxas de juros na casa de 9,9% ao mês.

Apesar das mudanças e das restrições devido a crise, não houve uma “seca” de crédito. “Não haverá um prejuízo tão desastroso para o mercado de avulsos, com opção de financiar nos privados, sem mudanças negativas em relação a taxas. Uma acomodação natural do mercado”, observa Wandic Lopes Neto.

Segundo o consultor, como os contratos ainda estão em andamento não se pode falar em perdas. “Não houve pagamento do financiamento,  então não há um prejuízo, mas uma acomodação”, observa.

Consequência
Já o presidente do Sindicato da Habitação, Renato Gomes Netto, entretanto, prevê como consequência uma série de rescisão de contratos de promessa de compra e venda. Muitas pessoas tinham assinado o contrato, pago o sinal (valor de entrada) e aguardavam a aprovação do financiamento bancário para fechar o negócio. “Com a mudança, nem todo mundo tem capital para este porte, além dos gastos com impostos e registros”, avalia.

A Caixa já havia alterado as taxas de juros em janeiro para imóveis do SFI, acima de R$ 650 mil. Com o recurso do SBPE restrito, devido aos saques da caderneta poupança – cerca de R$ 25 bilhões em retirada líquida no primeiro trimestre -, novas medidas de restrições de crédito foram adotadas  em menos de 15 dias.

A expectativa do mercado é que os bancos privados também majorem as taxas de juros, mas de forma mais contida para não perder a fatia do mercado de novos e ficar limitado ao de usados. Alguns bancos consultados já apresentaram incremento de 0,2% na taxa mínima de juros, como  o Itaú e Santander. O Banco do Brasil eliminou os dedutíveis, benefícios que reduziam as taxas.

TN

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