Centrais sindicais se preparam para nova paralisação amanhã

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As centrais sindicais do Brasil prometem mais um grande movimento amanhã (25) no “Dia Nacional de Luta”. No Rio Grande do Norte, o protesto deverá se concentrar em Natal, mas se estender por cidades como Mossoró, Caicó, Currais Novos e São Paulo do Potengi. A ideia é que todas as regiões estaduais recebam manifestações. O principal alvo dos trabalhadores é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que restringe o orçamento público nos próximos 20 anos e hoje tramita no Senado Federal. Até pouco tempo a matéria era denominada PEC 241, enquanto permanecia na Câmara dos Deputados.

Contudo, assim como ocorreu no “Dia Nacional de Greve”, realizado no último dia 11, outros pontos também estão em pauta, como as reformas previdenciária e trabalhista anunciadas pelo Palácio do Planalto, a terceirização e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza o desconto de salário de servidores em greve.

Ontem as centrais estaduais ainda fechavam a programação para amanhã. As seis entidades que atuam no Rio Grande do Norte confirmaram a participação no ato unificado: a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conlutas, Intersindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), além de Força Sindical e algumas entidades filiadas à Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), as duas últimas centrais que definiram adesão ao movimento no estado. Movimentos sociais também se farão presentes.

A proposta é que os trabalhadores comecem a se concentrar às 8h no cruzamento das avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira. O presidente da CTB-RN, Francisco Moacir, diz que outras categorias farão atos isolados primeiro e depois se juntarão à concentração. É o caso do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), vinculado à CTB, que em Natal fará um protesto em frente à sede da Petrobras, na Cidade da Esperança, Zona Oeste, antes de seus sindicalistas seguirem para o grande ato.

Depois de se reunirem, os manifestantes saem em caminhada até o Centro Administrativo, em ato parecido ao que aconteceu no último dia 11, quando milhares percorreram a Avenida Salgado Filho e pela BR-101 e fecharam o trânsito no percurso. No último grande protesto a estimativa dos sindicatos é que três mil participaram, mas ainda não há previsão de quantas pessoas vão participar dessa vez. “O objetivo é fazer um movimento de massa”, afirmou Francisco Moacir.

A presidenta da CUT-RN, Eliane Bandeira, destacou que a “luta” contra a PEC do Teto dos Gastos (PEC 55), terceirização e outros assuntos contidos na pauta de reivindicações que motivaram o movimento de amanhã são de interesse de todos os brasileiros, e não apenas dos servidores públicos ou sindicalistas.

“Convocamos toda a nossa base sindical para parar e não só o setor público, mas o privado também. Será um dia de protestos. Aqueles que não pararem o dia todo, que parem os trabalhos só por uma ou duas horas”, pediu a representante da central que no estado possui 198 filiados, entre sindicatos do setor público, privado e rural.

A Força Sindical, que possui 92 entidades filiadas a nível estadual, só iria oficializar ontem a união ao movimento. O presidente José Antônio de Souza diz ser contra a reforma previdenciária proposta pelo governo federal e comentou que “jogam nas costas dos trabalhadores uma conta que é do governo” ao citar a PEC 55.

Preparação

Os protestos nacionais previstos para este dia 25 de novembro, segundo a presidenta da CUT-RN, Eliane Bandeira, é uma preparação para uma greve geral ainda maior prevista para as próximas semanas. Ainda não há data definida pelas centrais em todo o país, que determinam o dia, mas reuniões do diretório nacional da CUT acontecerão nos dias 4 e 5 de dezembro já para, possivelmente, sugerirem uma data.

Os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) confirmaram presença na manifestação que acontece amanhã em Natal e outros municípios, como parte de um movimento nacional de greves. Inclusive, terminou às 23h59 de terça-feira o plebiscito dos docentes da instituição por mais um indicativo de greve.

A categoria também anunciou uma paralisação para o próximo dia 29. “Reiteramos que estamos e estaremos na Resistência contra a PEC  55/16, nas jornadas de luta dos dias 25, participando dos atos do dia nacional de mobilização e 29 de novembro, com uma paralisação da categoria, e que mantemos o apoio ao Movimento Estudantil”, disse uma nota da Adurn.

Quanto ao plebiscito, que teve início às 7h do último dia 22 e ficou disponível no site da Adurn-Sindicato, este foi fruto de uma decisão da 18ª Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 18 de novembro de 2016. O novo indicativo plebiscitado se baseou no artigo 29 do Estatuto da Adurn-Sindicato.

Em comunicado, a diretoria adiantou estar preparando toda a documentação necessária para que, em caso de nova greve, inicie imediatamente um novo processo de negociação, de acordo a legislação vigente. Até o fechamento desta edição não havia definição sobre a deflagração ou não da paralisação.

Motivada pelo avanço da PEC 55 no Senado, “cujo um dos impactos é a redução dos gastos com educação e a diminuição dos repasses para as Universidades Públicas e Institutos Federais, inviabilizando suas atividades acadêmicas e planos de expansão”, os professores optaram, também por meio de plebiscito, realizarem uma greve entre 11 e 17 de novembro.

Transporte

O Sindicato dos Profissionais de Transporte do Rio Grande do Norte (Sintro-RN) promete aderir ao movimento de amanhã, mas a direção informa que uma reunião, no final da tarde de hoje, vai definir essa adesão e como ela será. Em entrevista na manhã de ontem ao NOVO, o diretor de Comunicação do Sintro-RN, Harley Davidson, disse que o movimento poderá ser diferente do realizado no último dia 11.

“É provável que a gente adira, mas teremos uma reunião. O nosso movimento dessa vez poderá ser à tarde, mas não podemos afirmar antes da nossa reunião”, adiantou o diretor do Sintro.

O transporte público é um dos setores que sempre ganham destaque nos recentes movimentos sindicais em Natal. No último grande protesto do funcionalismo público e dos estudantes do estado, no último dia 11, parte do chamado “Dia Nacional de Greve”, os ônibus só começaram sair das garagens após 8h, quatro horas após o horário normal.

Na manhã daquele dia, apenas o transporte alternativo operava normalmente e os usuários se aglomeraram nas paradas.

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