ANO LETIVO ATRASA EM ESCOLA ESTADUAL

Dez das 18 turmas da Escola Estadual Lígia Navarro, na praia de Pitangui, em Extremoz, só iniciarão suas aulas na próxima segunda-feira (23) – duas semanas após o início do ano letivo na rede estadual. Faltavam professores. Ontem (19), a Secretaria de Educação solucionou o problema com a liberação de horas complementares para os docentes da escola. A informação é do diretor da unidade,  Adriano Barbosa de Souza. Segundo ele, os professores darão aulas nas 10 horas que seriam destinadas ao planejamento. Com isso, recebem a mais um terço dos seus salários.

A 1ª Dired (Diretoria Regional de Educação e Desportos) informou que o problema foi discutido ao longo da semana em reuniões na Secretaria de Estado de Educação. A intenção para resolver a situação do déficit é também abrir processo seletivo para contratação de temporários e realizar novo concurso público ainda este ano. Além disso, no dia 5 de março o Estado convocou 427 aprovados no último concurso, realizado em 2011. Os convocados têm 30 dias para se apresentar. Somente após esse prazo, a Diretoria saberá quantos professores vão para a escola em Extremoz.

A escola conta hoje com apenas 10 professores efetivos e dois temporários, quando deveria ter um total de pelo menos 20 para atender aos 600 estudantes. As turmas matutinas são do Ensino Médio e o único professor de que o colégio dispõe voltado para essa fase é de Educação Física. Por isso, permanece fechada durante a manhã. O único turno que funciona é o da tarde, do 1º ao 5º ano, com professores polivalentes, que orientam as diversas disciplinas de uma mesma série.

Adriano Barbosa de Souza informa que as oito turmas que têm aulas apesar da dificuldade são do Ensino Fundamental, porque há ainda docentes de Português, Matemática, Ciências e Educação Física. Durante a noite, há turmas do Fundamental para Jovens e Adultos e do Médio em turmas são diferenciadas. Das seis com alunos matriculados, duas estão sem qualquer atividade. As que funcionam é porque contém metade das disciplinas por semestre.

“Funciona por seis meses com determinadas disciplinas. Física, química, Biologia, Geografia  Formação para o Trabalho é só por 100 dias. Mas fica faltando as aulas de Espanhol, Inglês, Artes, Filosofia, Sociologia. Essas outras é para o outro semestre”.

De acordo com o gestor, as aulas são parciais para as turmas noturnas. Na sexta-feira não tem aulas. Samara, 12, vai começar o 8º ano quando a situação for regularizada. a mãe dela, Maria Sueli do Nascimento, é membro do Conselho Escolar, e conta que a garota está ansiosa querendo que as aulas comecem logo.

“É um absurdo, uma falta de respeito dos governantes que dizem que vão dar prioridade à Educação. Já fomos à Secretaria do Estado. eles prometem, mas não cumprem”, reclamou a dona de casa, que tem outro filho de 8 anos, Cauã. O menino está com o estudo regularizado, por estar no primeiro Ensino.

“Era para começar dia 2 de março, fomos dia 3 e ficou prometido que fariam chamada no Diário Oficial. só que para o Nísia Floresta apenas um professor foi convocado e não sei se já está trabalhando, já que não tem os demais”. Sueli conta que, impacientes, muitos da comunidade querem transferir seus filhos, mas acredita que seja das piores saídas. “Não tem vagas em outras escolas”.

O problema não é novidade. Em 2014 já faltavam professores para os meninos de Pitangui. A situação era resolvida com um projeto Oficinas Pedagógicas, da Secretaria de Educação do Estado. De acordo com Adriano Barbosa, trata-se de uma contratação sem muita burocracia. Além disso, havia também professores temporários, que ingressaram no serviço público por meio de processo seletivo. Os efetivos são sempre em menor número.

“Tínhamos mais profissionais concursados, que já se aposentaram. E tinha esses contratos que não foram renovados a tempo e contemplavam principalmente os candidatos que residiam perto da comunidade”, contou o diretor, que está no cargo desde 2013. “Cada programa de governo é uma história. Funcionou muito aqui com estagiário. O pessoal não quer vir porque há custo e o salário é tão pouco. Eles preferem ficar em Natal mesmo que é próximo de casa”, completa.

Tamandaré
Também em Extremoz, a Escola Estadual Almirante Tamandaré iniciou as aulas aos tropeços. Com capacidade para 1.400 alunos, a unidade de ensino matriculou 1.600. Enquanto aguarda a construção de mais quatro salas, o excedente estuda em um anexo onde funcionava centro de tecnologia. Também faltam professores e o problema deve ser suprido com a convocatória do estado.

TN

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